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História do turismo em Cuba e sua evolução

A história do turismo em Cuba tem três capítulos muito importantes: o primeiro na década de 1950, quando os primeiros voos comerciais chegaram à ilha. O segundo já na metade da década de 1990, quando o país entendeu a importância e passou abrir, cada vez mais, as portas para os turistas. Mas, o terceiro capítulo, o boom  do turismo é bem recente, por volta de 2014.

Essa evolução da história do turismo e, em consequência, o crescimento turístico tem sido destaque em Cuba sobretudo nos últimos anos. A economia do país agradece; o sistema político nem tanto. O impacto do turismo é visível e parece inevitável.

Saída para o crescimento econômico, o turismo é hoje a segunda maior fonte de receita cubana. Fica atrás apenas da venda de serviços profissionais para o exterior, especialmente da área da saúde. Mas, o que de fato provocou esse boom turístico? Quais são os pontos positivos e negativos que acompanham esse fato? São essas perguntas que vou tentar responder aqui!

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História do turismo em Cuba

História do turismo em Cuba
Morro do castelo, em Cuba.

Para entender a história do turismo em Cuba e como ela evoluiu ao longo das últimas décadas, precisamos conhecer um pouco da história recente do país. Isso porque, com a Revolução Cubana, o distanciamento entre Cuba e os Estados Unidos e os embargos comerciais, o país passou muitos anos em crise e o turismo deixou de ser visto como um setor importante, tanto em termos social quanto em termos econômicos. Até que a entrada de Raul Castro alterou as relações de Cuba com o mundo.

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Um pouco da história recente de Cuba

Turismo em Cuba: história e evolução
Memorial Che Guevara, em Santa Clara, Cuba | Foto: Aline Schons.

O acontecimento histórico mais importante para a ilha é, sem dúvidas, o êxito da Revolução Cubana, em 1959. De acordo com a historiadora Sílvia Cezar Miskulin, nos anos anteriores, Cuba vivia em um regime ditatorial e mantinha estreitas relações comerciais com os Estados Unidos.

No entanto, a partir daquele ano, assumiu posições para consolidação do socialismo. Algumas dessas medidas, como a desapropriação de terras e nacionalização de empresas, afetaram diretamente os interesses estadunidenses. Após ações e reações de ambos os lados, em 1961, o governo dos Estados Unidos rompeu relações diplomáticas com Cuba de vez e impôs o embargo comercial.

O colapso da União Soviética, em 1991, até então principal parceira econômica de Cuba, complicou a situação econômica do país. Os primeiros anos da década de 1990 foram duros para o povo cubano. A recessão foi forte e houve um grave desabastecimento de insumos, inclusive de alimentos e itens básicos de higiene. Daí vêm as imagens que, ainda hoje, associamos ao país.

O quadro só foi começar a ser revertido a partir da abertura ao investimento de capital estrangeiro, entre 2013 e 2014. Foi nesse momento que o turismo ganhou impulso de verdade.

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Turismo em Cuba

História do turismo em Cuba
Movimento em um bares frequentados por turistas em Havana | Foto: Aline Schons.

Assim como no resto do mundo, o turismo foi alavancado no cenário cubano nos anos 1950, quando voos comerciais foram viabilizados. Aquele foi um momento revolucionário para o setor, o que também impactou Cuba de maneira geral.

O site cubano EcuRed conta que, à época, a maior parte dos visitantes eram originários dos Estados Unidos. Muitos deles eram atraídos por jogos e pela prostituição.

Com a Revolução Cubana e a ruptura com o país, o turismo deixou de ser prioridade do governo e passou a ser predominantemente nacional. Nos anos 1980, esse cenário começa a mudar, mas é apenas na metade de 1990 que o turismo passa ser visto como essencial e estratégico para o desenvolvimento econômico.

A partir de então, cresce de forma considerável, com um boom maior a partir de da abertura econômica do país, continuando a evoluir até hoje.

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De Obama a Trump: esperança e visibilidade

Evolução do turismo em Cuba
Raul Castro e Barack Obama, em 2015 | Fonte: US Government, via Wikimedia Commons.

O embargo econômico, duramente criticado por intelectuais e instituições respeitadas como a ONU, parecia estar perto do fim em 2014. Naquele ano, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o chefe da nação cubana, Raúl Castro, firmaram um acordo que restabelecia as relações diplomáticas entre os países.

A medida provocou o relaxamento das restrições de viagens turísticas. Voos regulares entre os países também foram restabelecidos, aumentando a entrada de visitantes estadunidenses em Cuba – os dados mostram que o fluxo triplicou de 2014 para 2016.

No entanto, em 2017, com Donald Trump no poder, o acordo é revisto. Assim, mais uma vez a entrada de norte-americanos no país é limitada, ainda que as relações diplomáticas não tenham sido totalmente rompidas.

Embora o acordo tenha durado pouco, os dois momentos foram capazes de dar visibilidade mundial ao mercado turístico cubano. O número de turistas estrangeiros cresce a cada ano. De acordo com anuário turístico do país, em 2016, a ilha recebeu quase 7 milhões turistas estrangeiros, um aumento de aproximadamente 800 mil em relação ao ano anterior.

Os abalos provocados pelo furacão Irma em setembro de 2017, não diminuíram as perspectivas para o setor em 2018, que planeja continuar crescendo. A expectativa é de aproximadamente 6% de aumento.

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Estatísticas e principais visitantes

Evolução e história do turismo em Cuba
Cruzeiro ancorado no porto de Havana | Foto: Aline Schons.

Os países com maior número de turistas visitando Cuba são: Canadá, há anos no topo da lista, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Espanha, México e, mesmo com as restrições, Estados Unidos. O turismo brasileiro ao país segue crescendo anualmente. Em 2017, houve um salto de entrada de pessoas vindas do Brasil, foram aproximadamente 35 mil, em comparação com 23 mil em 2016.

Na América do Sul, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Venezuela estão entre as nações que mais visitam a ilha, seguidas do Brasil.

Para os países mais próximos de Cuba, a entrada por meio de cruzeiros é uma modalidade de turismo que tem crescido. A posição privilegiada do país contribui. A apuração de 2016 aponta para o fluxo de mais 17 mil pessoas em embarcações.

O mês com maior movimento costuma ser março. E setembro, a época de furacões, o período com menos visitações.

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Pontos positivos e negativos do boom turístico em Cuba

História do turismo cubano
Casa à venda em Havana | Foto: Aline Schons.

Entre os maiores pontos positivos do ingresso turístico na ilha estão, com certeza, a geração de emprego e renda. Poderia ainda destacar a troca cultural com outros países, o que pode também ser algo negativo se for encarado apenas como mercadoria.

Apesar de ser fundamental para a economia do país, o turismo também pode contribuir para a geração de desigualdade social. As pessoas que trabalham com turismo geralmente acabam recebendo, por exemplo, gorjetas em CUCs (moeda turística), que vale 25 vezes mais que o CUP.

Imaginem a diferença que isso faz? Acredito que, a longo prazo, afete inclusive o sistema político do país, caso o governo cubano não adote medidas efetivas.

Outro ponto é a inflação do preço do aluguel e de vendas de imóveis em cidades mais turísticas, e até mesmo do custo de vida da região. É o que relata a reportagem do site alemão DW: “Alta de turismo expulsa cubanos de Havana.

[…] o governo cubano enfrenta um difícil ato de equilibrismo: por um lado, quer promover o turismo, visando estimular a economia e criar fontes de renda para a população. Por outro, o fosso entre pobres e ricos não pode crescer demasiado. Essa tendência pode ser constatada na paisagem urbana, com os primeiros hotéis de luxo abrindo suas portas.

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História do turismo em Cuba: futuro

Fazer turismo em Cuba
Havana, capital de Cuba.

O futuro do turismo em Cuba, se continuará evoluindo ou não, ainda não está totalmente claro. Embora o novo presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, eleito em abril de 2018, tenha indicado que continuará investindo no turismo como propulsor do desenvolvimento econômico de Cuba, ele parece querer distância do modelo capitalista.

Como Díaz-Canel irá conciliar os dois interesses? Qual será o impacto no turismo cubano, caso Donald Trump quebre totalmente o acordo e impeça a entrada de norte-americanos no país? A ilha irá se estruturar, cada vez mais, para receber os viajantes? As respostas só os anos dirão.

Vale observar que o atual presidente pode cumprir até dois mandatos, de cinco anos cada. O que significa que tem muito tempo no poder. Espera-se, apenas, que ele olhe para trás e, observando a história de Cuba, entenda a importância do turismo para o país e encontre um caminho para que nós, viajantes possamos continuar conhecendo essa maravilhosa ilha, sem que eles percam sua identidade. Será que é possível?

Gostou de conhecer um pouco da história do turismo em Cuba? Conte suas impressões nos comentários.

 

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Sobre Aline Schons

Sou de opinião que é mais interessante explorar primeiro o Brasil e a América Latina para só depois partir para os outros cantos desse mundão. Gosto de conhecer os estereótipos, as imagens que definem os locais, e também aprecio descobrir aquilo que foge dos roteiros turísticos. Sou gaúcha, mas moro em Brasília-DF. Tenho bacharelado em administração e jornalismo e faço mestrado em Comunicação na UnB. Além de viagens, também me interesso por temas como comunicação, feminismo, direitos humanos, empreendedorismo, política e pets.

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