Sabe aquela sensação de caminhar por um museu a céu aberto, mas com o cheiro do mar batendo no rosto? Pois é exatamente assim que eu me senti na primeira vez que pisei em Valletta.
A capital de Malta é minúscula no mapa, dá para cruzar a cidade inteira a pé em 20 minutos, mas a densidade de história por metro quadrado ali é uma coisa de louco.
Viajar para Valletta é mergulhar em um cenário de pedras douradas que parece ter sido esculpido para um filme de época, mas que pulsa com uma energia super moderna e cosmopolita.
Estrategicamente plantada em uma península entre dois portos naturais, a cidade foi erguida pelos Cavaleiros da Ordem de São João após o Grande Cerco de 1565.
O resultado? Uma fortaleza elegante, cheia de ladeiras que terminam no azul infinito do Mediterrâneo e varandas coloridas que são a marca registrada de lá. É o destino perfeito para quem ama história, mas não abre mão de um bom vinho em um terraço charmoso ao entardecer.
Por que incluir Valletta no seu roteiro?
Se você é do tipo que gosta de sentir a alma de um lugar, Valletta vai te conquistar. Ela é Patrimônio Mundial da UNESCO e foi Capital Europeia da Cultura, o que já dá uma pista da expertise que a cidade entrega. Mas, para além dos títulos, o que vale é a experiência sensorial.
Eu lembro claramente do som dos canhões ecoando ao meio-dia e do vento fresco que sopra nos jardins suspensos enquanto a gente observa os barcos lá embaixo.
A vibe aqui é uma mistura curiosa: tem o refinamento europeu, a calidez latina (os malteses são super receptivos, bem parecidos com a gente!) e aquele toque de herança britânica, como as cabines telefônicas vermelhas espalhadas pelas ruas de pedra.
É um destino romântico para casais, mas também fascinante para quem viaja sozinho e quer se perder entre igrejas barrocas e museus de classe mundial.
O que explorar na “Cidade Humildíssima”
Para entender Valletta, você precisa gastar sola de sapato. Comece pela Republic Street e a Merchant Street, que são as artérias principais, cheias de lojinhas de filigrana de ouro e cafés históricos.
Mas o verdadeiro tesouro está escondido atrás da fachada austera da Co-Catedral de São João. Por fora ela é simples, mas por dentro é puro ouro e abriga a única obra assinada por Caravaggio no mundo, “A Decapitação de São João Batista”. É de arrepiar.
Não deixe de ir aos Upper Barrakka Gardens. A vista para o Grand Harbour e para as Três Cidades (Vittoriosa, Senglea e Cospicua) é, sem dúvida, o cartão-postal mais bonito de Malta. Outros pontos que mostram a autoridade histórica do destino são o Palácio do Grão-Mestre e o Forte Sant’Elmo, que abriga o Museu Nacional da Guerra.
E se quiser ver como a nobreza vivia, a Casa Rocca Piccola é um palácio quinhentista que ainda é habitado por uma família nobre e abre as portas para visitas.
Onde ficar em Valletta: logística e charme
Escolher a hospedagem em Valletta é garantir que você estará no coração de tudo. A infraestrutura aqui evoluiu muito nos últimos anos, transformando antigos palacetes em hotéis boutique maravilhosos.
Para quem busca luxo com história, o The Phoenicia Malta, logo na entrada da cidade, é um clássico. Se preferir algo mais intimista e moderno, o Domus Zamittello ou o Palazzo Paolina Boutique Hotel são opções fantásticas.
Ficar dentro das muralhas é uma experiência única, mas prepare as pernas para as escadarias! Se você busca algo mais econômico ou com cara de “vibe de praia”, muita gente opta por ficar em Sliema ou St.
Julian’s, que ficam logo ali do outro lado da baía. De Sliema, inclusive, sai um ferry que te deixa em Valletta em 10 minutos, com uma vista imbatível da silhueta da cidade.
Sabores malteses e cultura local
A gastronomia em Malta é um capítulo à parte. É uma mistura deliciosa de influências italianas, árabes e inglesas. Você precisa provar o Pastizzi, um salgado de massa folhada recheado com ricota ou ervilha que custa centavos e vende em cada esquina. É o lanche oficial dos locais!
Para algo mais substancial, o prato nacional é o Stuffat tal-Fenek (coelho ensopado), geralmente servido com um molho de vinho tinto bem encorpado. E não saia de lá sem provar a Ftira, um pão maltês crocante recheado com atum, alcaparras e azeitonas.
Para acompanhar, peça uma Cisk, a cerveja local, ou um Kinnie, um refrigerante de laranja amarga e ervas que é “ame ou odeie” — eu, particularmente, adoro!
Quando planejar sua viagem
O sol brilha em Malta quase o ano inteiro, o que é uma maravilha. O verão (junho a agosto) é a alta temporada, com muito calor e águas perfeitas para mergulho, mas a cidade fica bem cheia e os preços sobem.
Se puder, vá na primavera (abril a junho) ou no início do outono (setembro e outubro). O clima fica ameno, perfeito para bater perna sem suar tanto, e o mar ainda está gostoso.
No inverno, faz um friozinho úmido, mas raramente abaixo dos 10°C, o que é ótimo para quem quer explorar os museus com calma e sem multidões.
Dicas práticas para não cair em cilada
- Transporte: O transporte público em Malta é feito basicamente por ônibus e funciona bem, mas em Valletta tudo é feito a pé. Lembre-se que eles dirigem na mão inglesa!
- Moeda e visto: Eles usam o Euro e brasileiros não precisam de visto para turismo (espaço Schengen).
- Segurança: Valletta é extremamente segura, mas como em qualquer lugar turístico, fique de olho nos seus pertences em áreas muito lotadas.
- Sapatos: Esqueça o salto alto ou sapatos escorregadios. As ruas de pedra são polidas pelo tempo e ficam bem lisas, além das muitas subidas e descidas.
Abaixo, você encontra nossos artigos detalhados com roteiros, dicas de hotéis e tudo o que publicamos sobre Valletta. Boa leitura e boa viagem!
Perguntas frequentes sobre Valletta
O que fazer em Valletta em um dia?
Em um dia, você consegue visitar a Co-Catedral de São João, admirar a vista dos Upper Barrakka Gardens, caminhar pela Republic Street e talvez visitar o Palácio do Grão-Mestre. Termine o dia com um passeio de barco (dghajsa) pelo Grand Harbour para ver as muralhas de fora.
Valletta tem praia?
Valletta não tem praias de areia. É uma cidade murada sobre rochas. No entanto, você verá muita gente mergulhando direto das pedras na base das muralhas, especialmente perto do Forte Sant’Elmo. Para praias de areia, você precisará pegar um ônibus para o norte da ilha (Mellieha Bay ou Golden Bay).
É melhor ficar em Valletta ou em Sliema?
Depende do seu estilo. Valletta é histórica, romântica e mais silenciosa à noite. Sliema tem mais hotéis modernos, vida noturna agitada, calçadão para caminhadas e é mais econômica. Ambas são conectadas por um ferry rápido e barato.
Brasileiro precisa de visto para Malta?
Não, cidadãos brasileiros não precisam de visto para estadias de turismo de até 90 dias em Malta, pois o país faz parte do Acordo de Schengen. É necessário apenas o passaporte válido, seguro viagem e comprovantes de hospedagem e fundos.