
Bolonha
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Chegar em Bolonha é ser imediatamente abraçado por um tom de vermelho terracota que parece aquecer a alma, não importa a estação. Conhecida como “La Grassa” (a gorda), “La Dotta” (a douta) e “La Rossa” (a vermelha), essa cidade na região da Emília-Romanha é, para muitos, o verdadeiro coração gastronômico e cultural da Itália.
Viajar para Bolonha é fugir do óbvio das filas quilométricas de Roma e se permitir viver o cotidiano italiano com uma elegância rústica e muita massa fresca.
Eu confesso que uma das minhas coisas favoritas por lá é não precisar de guarda-chuva. Os famosos pórticos de Bolonha, que são Patrimônio da Humanidade, cobrem quilômetros de calçadas e permitem que a gente explore a cidade admirando as vitrines e as torres medievais sem se preocupar com o tempo.
É um destino que vibra com a energia dos estudantes da universidade mais antiga do mundo ocidental, mas que mantém o respeito sagrado pelas tradições da “nonna” na cozinha.
Se você é do time que viaja para comer bem, Bolonha é o seu paraíso, mas a cidade vai muito além do prato. Ela é perfeita para quem gosta de história sem a sensação de estar em um “museu a céu aberto” engessado.
Bolonha é real, barulhenta na medida certa e cheia de segredos escondidos atrás de fachadas imponentes.
É o destino ideal para quem quer uma base estratégica para explorar o norte da Itália, já que de trem você chega rapidinho em Florença, Veneza ou Milão. Mas a verdade é que a cidade te segura.
Entre uma caminhada pelas praças e um “aperitivo” no final da tarde, a gente acaba percebendo que o ritmo de vida aqui é o que a gente realmente busca em uma viagem de férias.
O ponto de encontro oficial é a Piazza Maggiore, onde fica a imponente Basílica de San Petronio e a famosa Fonte de Netuno. Dali, é um pulo para o Quadrilatero, o mercado medieval a céu aberto que é uma explosão de cores e cheiros. Mas o símbolo máximo da cidade são as “Duas Torres”, a Torre degli Asinelli e a Garisenda.
Se você tiver fôlego (e não for supersticioso, como os estudantes locais), subir os quase 500 degraus da Asinelli garante a vista mais espetacular do mar de telhados vermelhos.
Outro lugar que eu adoro e que pouca gente nota de primeira é a “janelinha” da Via Piella, que revela um canal escondido e faz você se sentir por um momento em Veneza.
E, claro, não dá para ignorar o Archiginnasio, a antiga sede da universidade, com seu teatro anatômico todo em madeira que é de cair o queixo. Se quiser um pouco de verde e uma caminhada vigorosa, siga o pórtico mais longo do mundo até o Santuário de San Luca, no alto da colina.
A escolha do lugar onde ficar em Bolonha depende muito de como você pretende se locomover. Ficar no Centro Storico, perto da Piazza Maggiore, é a melhor opção para quem quer fazer tudo a pé e sentir o clima boêmio da cidade.
Hotéis charmosos como o Art Hotel Commercianti ou o luxuoso Grand Hotel Majestic già Baglioni colocam você no meio de toda a história.
Para quem viaja de trem e planeja fazer muitos bate e voltas, a região próxima à Stazione Centrale é muito prática e costuma ter preços mais amigáveis em redes como o Starhotels Excelsior
Já o bairro de Bolognina, logo atrás da estação, é a área que está se tornando “hipster”, com acomodações modernas e uma cena cultural alternativa. Se você busca algo mais autêntico e menos turístico, o bairro de Santo Stefano é elegante, silencioso e cheio de pousadas de charme.
Não dá para falar de Bolonha sem falar de comida. Esqueça o “spaghetti à bolonhesa”. Aqui o prato oficial é o Tagliatelle al Ragù, onde a massa fresca de ovo segura o molho de carne como nenhum outro.
Outra estrela absoluta é o Tortellini in Brodo, pequenas massas recheadas servidas em um caldo de carne clarificado que é puro conforto.
Caminhe pelo Quadrilatero e perca a conta de quantos tipos de Mortadella Bologna você vai encontrar. Minha dica é sentar em uma das “osterias” tradicionais, como a Osteria del Sole (a mais antiga da cidade, onde você leva sua própria comida comprada no mercado e só paga pela bebida), para viver a experiência mais raiz possível.
E para sobremesa, o gelato de Bolonha é frequentemente citado como um dos melhores da Itália, então não economize nas casquinhas!
Bolonha é linda o ano todo, mas a primavera (abril a junho) e o outono (setembro e outubro) são as épocas de ouro. O clima é perfeito para caminhar e as cores da cidade ficam ainda mais vibrantes. No outono, você ainda tem o bônus das feiras de trufas e vinhos na região.
O verão pode ser bem abafado e quente, mas os pórticos ajudam muito a criar sombra. Já o inverno tem seu charme, especialmente em dezembro, quando as luzes de Natal e o cheiro de castanhas assadas tomam conta das ruas.
Só fique atento ao mês de agosto, quando muitos comércios locais e restaurantes familiares fecham para as férias de verão dos italianos.
Bolonha é uma das cidades mais fáceis de chegar na Itália. O aeroporto Guglielmo Marconi é conectado ao centro pelo monotrilho Marconi Express em apenas 7 minutos. Se vier de trem, a estação central é um dos maiores hubs do país.
Dentro do centro histórico, a regra é clara: use sapatos confortáveis e caminhe. O transporte público funciona bem, mas você vai querer ver cada detalhe das colunas e afrescos dos pórticos.
Uma dica de “insider”: reserve seus jantares! Bolonha é uma cidade pequena e os restaurantes bons e autênticos lotam rápido, mesmo em dias de semana. E se você gosta de carros, lembre-se que Bolonha é a porta de entrada para o Motor Valley italiano, onde ficam as fábricas da Ferrari, Lamborghini e Ducati.
O Ragù alla Bolognese original é um processo lento, leva pouquíssimo tomate (ou apenas extrato), leva leite para suavizar a acidez e é servido com massa larga (tagliatelle) ou em lasanhas, nunca com spaghetti fino, pois o molho não “gruda” na massa seca comum.
Dá para ver o básico da Piazza Maggiore e subir as torres, mas você vai perder a melhor parte, que é o clima noturno e a gastronomia. Recomendo pelo menos duas noites para aproveitar as osterias com calma e conhecer o santuário de San Luca.
Muita atenção: o centro histórico de Bolonha é quase todo uma ZTL vigiada por câmeras. Se você entrar de carro sem autorização (que geralmente só hotéis podem providenciar), a multa é certa. O ideal é deixar o carro em estacionamentos na periferia ou na estação e seguir a pé.
No geral, Bolonha é mais barata que Veneza, Milão ou Roma, tanto em hospedagem quanto em alimentação. É uma cidade com custo-benefício excelente, especialmente porque a qualidade da comida “barata” de rua é altíssima.